Open Finance e DREX: o que muda no crédito para fornecedores?

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Nos últimos cinco anos, o sistema financeiro brasileiro passou por transformações profundas que agora começam a convergir: Open Finance e DREX. O primeiro abriu, com consentimento do cliente, o acesso a dados e à iniciação de pagamentos entre instituições. O segundo inaugurou a infraestrutura do real em formato digital, funcionando como uma moeda digital de atacado do Banco Central, preparada para liquidação, programabilidade e tokenização de ativos e transações.

Quando combinados, esses dois movimentos estão redesenhando o crédito para fornecedores. Estamos falando de avaliação de risco mais precisa, limites dinâmicos, liquidação instantânea, descontos programáveis por contratos inteligentes e integração nativa com ERPs, registradoras e marketplaces de supply chain finance.

Ao longo deste artigo, você vai entender de maneira prática como essas mudanças impactam o dia a dia de compradores, fornecedores e instituições financeiras e também verá quais passos adotar para capturar valor nessa transição.

O que é Open Finance e por que interessa ao crédito B2B?

O Open Finance é um ecossistema que permite que pessoas e empresas compartilhem seus dados financeiros de maneira padronizada, segura e, acima de tudo, sob consentimento do titular. Dessa forma, é possível acessar informações como contas, extratos, produtos de crédito e transações de forma estruturada e confiável.

Na prática, isso significa mais competição entre instituições financeiras, portabilidade de serviços e maior inclusão de empresas no sistema de crédito. Além disso, esses dados funcionam como uma espécie de prova de renda corporativa, permitindo análises mais rápidas e com base em evidências atualizadas.

Outro ponto importante é a Iniciação de Transações de Pagamento (ITP). Essa funcionalidade permite que um iniciador autorizado pelo Banco Central dispare um Pix diretamente a partir dos dados de várias instituições, sem que o pagador precise acessar cada aplicativo bancário. Como resultado, processos de contas a pagar e receber tornam-se mais automáticos, rastreáveis e ágeis.

Portanto, o Open Finance não se limita a abrir dados: ele cria um novo padrão de eficiência operacional. No crédito para fornecedores, isso é vital, pois reduz a incerteza e permite que financiadores façam análises com granularidade transacional. Para pequenas e médias empresas, que antes enfrentavam barreiras por falta de histórico formalizado, a mudança é ainda mais significativa.

O que é DREX e como muda a liquidação e a programabilidade?

O DREX é o real em formato digital emitido em uma plataforma desenvolvida e operada pelo Banco Central. Ele tem paridade total com o real físico e escritural e foi criado inicialmente para uso em operações de atacado, envolvendo instituições participantes do sistema financeiro.

Entre seus pontos-chave, podemos destacar:

  • Paridade com o real: não é uma nova moeda, mas sim a representação digital da existente.

  • Liquidação segura: ao rodar em infraestrutura do Banco Central, reduz riscos de contraparte e elimina intermediários desnecessários.

  • Programabilidade: permite criar contratos inteligentes que condicionam pagamentos a eventos, tornando a liquidação automática.

  • Tokenização: viabiliza a criação de versões digitais de ativos e recebíveis, facilitando registros, cessões e auditorias.

Nesse cenário, o DREX traz a camada que faltava: a cola programável que conecta documentos, eventos e liquidações. Assim, se o Open Finance fornece dados para avaliação de risco, o DREX garante execução segura e automática de contratos financeiros. Como consequência, os fornecedores passam a ter acesso a crédito mais barato e previsível, enquanto compradores e financiadores reduzem riscos e custos operacionais.

Antes e depois: como a cadeia de fornecedores se transforma

Para compreender melhor o impacto, vale comparar o fluxo tradicional de crédito com o fluxo habilitado por Open Finance e DREX.

3.1 Avaliação de crédito

Antes: a análise era baseada em balanços defasados, cadastros em bureaus de crédito e no histórico com garantias. Decisões eram lentas e pouco inclusivas.
Depois: com o Open Finance, o fornecedor compartilha extratos e histórico transacional em tempo real. Dessa forma, o modelo de risco se torna mais preditivo e acessível, abrindo espaço para taxas melhores e onboarding simplificado.

3.2 Concessão de limites

Antes: os limites eram fixos, revisados poucas vezes ao ano e pouco sensíveis a mudanças de mercado.
Depois: agora, com dados quase em tempo real, os limites podem ser ajustados continuamente de acordo com sazonalidade ou concentração de recebíveis, resultando em maior aderência à realidade do fornecedor.

3.3 Liquidação e reconciliação

Antes: liquidações ocorriam via TED ou boletos, com reconciliação manual e risco de atrasos.
Depois com ITP + Pix: os pagamentos são disparados diretamente de contas do sacado, com autorização centralizada e trilha de auditoria.
Com DREX: pagamentos condicionados a eventos (como a entrega de mercadorias) são liquidados automaticamente por contratos inteligentes, eliminando disputas e retrabalhos.

3.4 Cessão e registro de recebíveis

Antes: documentação fragmentada e risco de dupla cessão.
Depois com tokenização: os recebíveis ganham identidade digital única, facilitando cessão, registro e negociação, com maior segurança e compliance.

Risco Sacado em um novo contexto

O Risco Sacado é uma operação já consolidada, em que o comprador usa seu próprio risco de crédito para que fornecedores possam antecipar duplicatas. Assim, o fornecedor recebe à vista, enquanto o comprador paga no prazo.

Com o Open Finance e o DREX, o modelo ganha força. Isso porque:

  • A modelagem de risco se torna mais justa e transparente.

  • A liquidação é automática e rastreável, reduzindo falhas.

  • Descontos por data podem ser programados em contratos inteligentes.

  • Tokens vinculados a documentos fiscais e logísticos garantem governança de ponta a ponta.

Portanto, o Risco Sacado deixa de ser apenas uma ferramenta de antecipação e passa a ser um instrumento estratégico de fortalecimento da cadeia de suprimentos.

Benefícios práticos para cada agente

Fornecedores: mais acesso ao crédito, taxas melhores, previsibilidade de caixa e menos burocracia.
Compradores: maior poder de negociação, alongamento de prazos e fornecedores mais saudáveis, reduzindo riscos de ruptura.
Financiadores: risco mais mensurável, menos fraudes e custos operacionais mais baixos.

Casos de uso imediatos

  • Antecipação vinculada a eventos logísticos: o pagamento só é liberado quando a entrega é confirmada, reduzindo riscos de contestação.

  • Pagamentos massivos e recorrentes: lotes Pix iniciados em uma única interface, com conciliação automática.

  • Dynamic discounting: o fornecedor escolhe a data do recebimento e o contrato inteligente aplica a regra de desconto automaticamente.

Desafios e pontos de atenção

Apesar do enorme potencial, é importante considerar alguns desafios:

  • Governança clara de consentimentos no Open Finance.

  • Integração com ERPs e sistemas legados.

  • Padronização documental para viabilizar tokenização.

  • Segurança e proteção de dados sensíveis.

  • Educação e adaptação cultural de equipes e fornecedores.

  • Evolução gradual do DREX, ainda em fase piloto.

Como começar em seis passos

  1. Mapear dados críticos que podem reduzir riscos na análise.
  2. Escolher casos-piloto com ROI claro, como programas de Risco Sacado.
  3. Implementar gestão de consentimentos simples e auditável.
  4. Integrar ERP e documentos fiscais e logísticos.
  5. Criar regras programáveis de descontos, multas e juros.
  6. Medir resultados continuamente e expandir em ondas.

Perguntas frequentes de Open Finance e Drex

O DREX vai substituir o Pix?
Não. O Pix continua sendo o sistema de pagamentos instantâneos de varejo. O DREX funciona como infraestrutura de liquidação programável em atacado.

O Open Finance é apenas para pessoas físicas?
Não. Empresas também podem compartilhar dados e se beneficiar de melhores condições de crédito e pagamentos automatizados.

O Risco Sacado perde relevância com essas mudanças?
Muito pelo contrário. Ele se torna ainda mais estratégico, com dados confiáveis e liquidações programáveis que reduzem custos e ampliam alcance.

O que esperar nos próximos 24 meses

Nos próximos dois anos, podemos esperar:

  • Maior uso de Pix via ITP em operações B2B.

  • Pilotos de contratos inteligentes vinculados a logística e fiscal.

  • Tokenização de recebíveis, trazendo mais liquidez ao mercado.

  • Programas de Risco Sacado com limites dinâmicos e descontos automáticos por data.

O Open Finance já está transformando o crédito para fornecedores, ao oferecer dados de alta fidelidade para análise e habilitar pagamentos automáticos com Pix. O DREX, por sua vez, traz a camada de programabilidade que faltava, permitindo contratos inteligentes que conectam documentos, eventos e liquidações seguras.


Para compradores, isso representa eficiência de caixa e resiliência da cadeia. Já ara fornecedores, acesso a capital mais barato e previsível. E para financiadores, risco mensurável e operações mais enxutas.


Portanto, o momento de agir é agora. Comece com Open Finance aliado ao Pix, prepare suas regras programáveis e esteja pronto para capturar as oportunidades que o DREX trará ao mercado.


E, para colocar isso em prática, conheça o Painel Fornecedor by Finnet: a plataforma que conecta empresas e fornecedores em programas de Risco Sacado e antecipação de recebíveis, com integração a ERPs, múltiplos bancos e preparada para a programabilidade do DREX.


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